Fauna
O primeiro aspecto a salientar-se é que os níveis de endemismo na ilha de São Tomé são elevados em todos os grupos de vertebrados terrestres, embora o território do Parque seja relativamente pobre em termos de número absoluto de espécies indígenas (aves excluídas), em comparação com áreas protegidas de equivalente extensão na região continental.
Mamíferos
Parece que quando as ilhas foram descobertas pela primeira vez, não havia populações de mamíferos de tamanho maior e todas as espécies actualmente presentes foram importadas, ou introduzidas, em diferentes períodos e por razões variadas. Hoje, o território do PNOST alberga populações estáveis de espécies de mamíferos introduzidas.
Uma das espécies mais conhecidas e comuns é o primata Cercopithecus mona (conhecido localmente como “Macaco”) que possui populações distribuídas por todo o País. Na ilha há também populações de gatos e porcos selvagens, de ratos e de carnívoros como a civeta africana Civettictis civetta (“Lagaia”), provavelmente introduzida desde o século XVI pelos colonos para combater os roedores nas áreas agrícolas .
A fauna autóctone de mamíferos da ilha de São Tomé era constituída por espécies de morcegos e de insectívoros. Actualmente o território do PNOST alberga as populações duma espécie endémica de musaranho Crocidura thomensis, e de dez espécies de morcegos de tamanho e características variadas, sendo duas endémicas.
Aves
De toda a fauna São-Tomense, o das aves é sem dúvida o grupo animal cuja ecologia e estado de conservação são os melhores conhecidos. Numerosas expedições ornitológicas foram organizadas no século XIX e XX por pesquisadores de origens variadas.
Um estudo comparativo realizado nos anos 1980 revelou que as florestas do arquipélago são as segundas mais importantes do continente pela riqueza em termos de espécies de aves endémicas e sua vulnerabilidade . Segundo o sistema de classificação estabelecido pela BirdLife International, São Tomé e Príncipe possui cinco IBAs (Important Bird Areas), três delas encontrando-se no interior do PNOST :
- Floresta de Planura de São Tomé (ST001) : Extende-se desde a costa Oeste (São Miguel, Bindá, Rio Quija) até os encostos do Pico São Tomé, cobrindo a maior parte do PNOST.
- Floresta de Montanha e de Nevoeiro de São Tomé (ST002) : Esta IBA inclui as áreas mais altas de 1.000m na parte setentrional do PNOST (Pico de São Tomé – 2.024m, Calvario – 1.594m e Pico Ana Chaves – 1.630m, Lagoa Amélia)
- Savanas setentrionais de São Tomé (ST003) : Esta IBA coloca-se na costa norte, entre Lagoa Azul e Diogo Nunes e inclui, sem coincidência absoluta, a vegetação de floresta seca e savana arbustivo-arbórea e herbácea.
O número de aves endémicas terrestres de São Tomé e Príncipe varia entre 21 e 29 segundo o tratamento sistemático dos diferentes autores. Em comparação com outras ilhas, este índice é notável : é parecido com o índice do Arquipélago das Galápagos (22 espécies), com tamanho oito vezes maior que São Tomé e Príncipe e é mais do dobro do mesmo índice para as Seychelles (11 espécies), que são dum tamanho ligeiramente inferior a São Tomé e Príncipe .
São Tomé alberga três géneros mono-específicos (Amaurocichla, Dreptes e Neospiza) e de mais de 50 espécies que nidificam na ilha, quinze são endémicas de São Tomé e cinco são espécies endémicas compartilhadas com Príncipe. Adicionalmente, o conjunto de endemismos acrescenta-se por oito subespécies da ilha ou do País .
Esta riqueza da avifauna em termos de endemismos levou BirdLife International em 2003 a incluir a ilha de São Tomé entre as 200 mais importantes EBAs (Endemic Bird Areas) a nível mundial. No âmbito deste trabalho identificou-se a EBA-082 “Ilha de São Tomé” como em prioridade “Critica”, que é o nível máximo de prioridade a nível internacional segundo o sistema de classificação adoptado por esta organização de referência. A justificação desta escolha baseia-se sobretudo no número extremamente elevado de populações de espécies com distribuição restrita no território da ilha : 21, sendo três classificadas como “Em Perigo Critico” e seis como “Vulneráveis” .
Répteis
Excluindo as tartarugas marinhas, São Tomé alberga catorze espécies de répteis terrestres. Potencialmente, todas as espécies apresentam uma sobreposição entre a sua área de distribuição e o território do PNOST, ou a sua Zona Tampão. Sete destas espécies são endémicas de São Tomé e Príncipe (uma espécie encontra-se também em Annobón) .
Uma menção destacada, para o grande valor carismático e para a importância em termos de conservação, merecem as tartarugas marinhas, cujas espécies abaixo descriminadas habitam nas águas marinhas do País e utilizam também as praias do PNOST e da sua Zona Tampão para a reprodução.
Estas espécies são:
- Eretmochelys imbricata – mais conhecida no País como “tartaruga sada”. É das mais cobiçadas devido ao alto valor da sua carapaça no fabrico do artesanato. A mesma utiliza com mais frequência as praias da zona sul do Parque e da Zona Tampão da ilha de São Tomé para a sua reprodução;
- Dermochelys coriacea – conhecida vulgarmente como “tartaruga ambulância”, é das mais raras nas águas do país. Também esta espécie utiliza com mais frequência as praias da zona sul do PNOST e da Zona Tampão da ilha de São Tomé para a sua reprodução.
- Lepydochelys olivacea – mais conhecida por “tartaruga bastarda” ou “tatô”, é a predominante nas águas do País e utiliza as praias do norte da ilha de São Tomé para desovar (incluídas as praias no interior do PNOST). A sua carapaça não é utilizada mas os seus ovos são muito apreciados pela população.
- Chelonia mydas – mais conhecida por “tartaruga mão branca”, é bastante comum nas praias de São Tomé. Os seus ovos e a carne são muito apreciados.
- Caretta caretta – mais conhecida por “tartaruga cabeça grande”, mas para esta espécie não há registos recentes de nidificação no Arquipélago.
No período Junho-Setembro os indivíduos dos dois sexos aproximam-se das costas da ilha. Na época a seguir (sobretudo Outubro-Janeiro) concentra-se a maioria das deposições nas praias, até o mês de Abril. De toda forma, é possível encontrar tartarugas marinhas nas águas à volta da ilha, em qualquer momento do ano.
Anfíbios
Cinco espécies são reconhecidas para a ilha de São Tomé, quatro sendo endémicas : Ptychadena newtoni, Schistometopum thomense (conhecido localmente como “Cobra bobo”), Phrynobatrachus leveleve, e Hyperolius thomensis. Uma outra é compartida com a ilha do Príncipe : Hyperolius molleri.
A compreensão da forma de dispersão destas espécies de anfíbios permanece sem solução até hoje. Em efeito, trata-se de animais intolerantes à água salgada e que portanto não poderiam ter colonizado a ilha através duma passagem nas águas oceânicas.












