Flora
Excluindo algumas pequenas zonas de mangais e de dunas de areia na costa, a vegetação autóctone original do Príncipe caracterizava-se pela existência de uma cobertura vegetal de floresta húmida. Possivelmente, no Príncipe havia uma menor riqueza natural em espécies florestais e, devido ao seu reduzido tamanho, no período de máximo desenvolvimento das plantações, essa tinha de ter um aproveitamento dos seus recursos mais acentuado do que acontecia para a floresta de São Tomé. Por esta razão a sua estrutura actual está relativamente mais enfraquecida em comparação de aquela da ilha maior . Acredita-se no entanto que o Parque Natural do Príncipe protege, nas encostas íngremes dos picos e montanhas, os últimos remanescentes de ecossistemas de floresta de baixa altitude das ilhas do Golfo da Guiné.

No estado actual dos avanços alcançados no conhecimento da flora e da vegetação do País, o número estimado de plantas existentes no arquipélago é de 1.260, das quais 148 são endémicas, 933 são plantas indígenas e 297 são introduzidas e/ou cultivadas.
Considerando somente as Angiospérmicas, a Ilha do Príncipe hospeda 40 espécies endémicas. Os Pteridófitos estão distribuídos em 28 famílias, com 81 espécies e apresentam 6 espécies endémicas. O grupo das Briófitas caracteriza-se pela presença dos géneros Marchantia, Anthoceros e Polytrichium e consta de 14 espécies, sendo uma endémica. As hepáticas têm 29 espécies, sendo uma endémica.
O interesse da estrutura da vegetação da ilha, não reside somente na sua diversidade. Por exemplo, Grammitis nigrocincta ocorre apenas no Príncipe e em Madagáscar. O dado é singular. É possível que outrora esta espécie tivesse uma distribuição contínua no continente Africano, a disjunção hoje verificada deve-se-á à extinção das populações continentais (fenómeno análogo ao que se observa noutras ilhas para espécies do género Dracaena). Algumas plantas com este tipo de distribuição disjunta representam vestígios de uma vegetação antiga, agora extinta em parte da sua área original, mas sobrevivente em zonas que mantiveram as condições propícias ao seu desenvolvimento. Estas zonas, têm grande interesse em termos científicos, pois podem contribuir para o conhecimento da história da vegetação em África.







